País
Linha de prevenção do suicídio atendeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano de atividade
A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio foi criada há precisamente um ano e registou 25.600 chamadas. Para o INEM, foram encaminhadas cerca de 600 situações. Mulheres e jovens entre os 18 e os 29 anos ligam mais, mas a maioria dos casos de suicídio são entre homens e idosos. A pensar nisso, coordenação clínica prepara nova campanha de proximidade.
A estratégia desenha-se agora com proximidade para combater um padrão claro em Portugal. Há quatro vezes mais suicídio em homens do que em mulheres e a subida é drástica a partir dos 65 anos. "Vamos desenvolver uma campanha muito direcionada para esta faixa etária e para os homens", revela José Carlos Santos, coordenador da Linha 1411, em entrevista à RTP Antena 1. Para concretizar a campanha, pretende colaborar com juntas de freguesia, meios de transportes e centros de saúde.
É uma mudança de rumo já com um ano completo. A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio atendeu sobretudo mulheres e jovens entre os 18 e os 29 anos, num total de 25.600 chamadas. "A linha era de facto uma necessidade no campo da prevenção do suicídio", considera José Carlos Santos, e aponta também que, "à medida que a linha vai sendo conhecida, o número de chamadas aumenta".
O maior pico de chamadas foi nos meses de verão, refere, com mais de 2.500 chamadas em julho e agosto. Do total de pedidos de ajuda, ao longo do ano, mais de 600 foram considerados de emergência e encaminhados para o INEM.
A esmagadora maioria dos casos está relacionada com questões de ansiedade, havendo também "alguma sintomatologia depressiva, isolamento e solidão" e ainda "questões vivenciais, a questão das ruturas afetivas, também problemas de relações familiares, que são muito frequentes".
Tempo de espera é inferior a um minuto
A taxa de atendimento é de 80%, ou seja, há 6.400 chamadas que não chegaram a ter uma voz do outro lado uma voz "por questões técnicas ou outras". Quem liga prefere a noite, entre as 19 horas e as 21 horas, com um tempo de espera de atendimento inferior a um minuto.
"Obviamente que há linhas que têm melhores indicadores do que nós, mas nós estamos claramente acima da média quando nos comparamos a nível internacional com as linhas existentes", defende o coordenador do 1411.
Sobre a natureza do atendimento, a maioria prefere o anonimato. Há 70 profissionais a trabalhar neste serviço, entre psicólogos ou enfermeiros de saúde mental com formação específica em suicidologia. "O número de profissionais que temos, neste momento, é adequado para aquilo que são as necessidades", considera José Carlos Santos.
Depois de "um ano de consolidação", espera passar à "etapa seguinte" e "alargar um pouco as respostas, mas neste momento ainda é prematuro dizer o que é que podemos fazer ou o que é que vamos fazer", diz à RTP Antena 1. José Carlos Santos lembra que não é nenhuma fraqueza pedir ajuda e apela que as pessoas encaminhem quem precisa de ajuda para esta linha.
com Gonçalo Costa Martins (texto) - RTP Antena 1